Comerciais
O hidrogénio para os camiões está à porta. O mais recente projeto chama-se H2Accelerate
Vários fabricantes de veículos pesados e de empresas ligadas ao setor da energia anunciaram o lançamento do projeto H2Accelerate para apoiar a introdução em massa de camiões alimentados a hidrogénio na Europa.

A Iveco, a Daimler Trucks, Grupo Volvo, a OMV e a Shell anunciaram o lançamento deste projeto, que se destina a ajudar a criar as condições para a implementação em massa da circulação de camiões alimentados a hidrogénio na Europa.
O acordo entre estas cinco entidades foi revelado alguns dias depois de ter sido anunciado o compromisso das marcas das principais marcas de camiões e comerciais de deixarem de comercializar veículos Diesel a partir de 2040.
Uma das alternativas apontadas para a descarbonização completa do transporte de longo curso é o hidrogénio, sendo expectável um forte aumento da produção de camiões movidos a este tipo de combustível.
O novo desafio vai obrigar à criação de um ecossistema distinto, que inclui a implementação de instalações para a produção de hidrogénio de carbono zero, sistemas de distribuição do mesmo em larga escala, uma rede de postos de abastecimento de líquido e gasoso, assim como a produção de camiões alimentados a hidrogénio.
Os participantes do projeto defendem que os investimentos alinhados em todo o setor, ao longo desta década, permitirão criar as condições para a introdução em grande escala de transportes pesados a hidrogénio e, assim, serem cumpridas os objetivos de descarbonização até 2050.
Os membros do projeto H2Accelerate acreditam que o escalonamento da produção ao longo de uma década irá contribuir para atrair grupos de clientes que estejam dispostos a assumir um forte empenho no transporte a hidrogénio, logo desde o início.
Apoios públicos na fase inicial
Numa primeira fase, essas frotas devem operar em grupos regionais e ao longo dos corredores europeus de alta capacidade, com boa cobertura de postos de abastecimento.
Os membros do projeto consideram que será necessário um apoio do setor público na fase de lançamento da rede de abastecimento de hidrogénio, designadamente ao nível de financiamentos para projectos pré-comerciais antecipados.
Paralelamente, os participantes irão trabalhar no sentido de obter o envolvimento de responsáveis políticos e entidades reguladoras, de forma a incentivar um ambiente político que ajudará a apoiar, no período subsequente, a produção em grande volume de camiões a hidrogénio e a implementação, em toda a Europa, de uma rede de abastecimento de hidrogénio de carbono zero.
Comerciais
Volkswagen ID. Buzz Cargo recebe versão mista de cinco lugares
O Volkswagen ID. Buzz Cargo passa a estar disponível numa nova versão mista de cinco lugares (2+3), graças à introdução de uma divisória fixa entre a cabina e o compartimento de carga. Esta solução está disponível tanto na versão de chassis curto como longo, alargando a versatilidade do modelo elétrico da marca alemã..
A nova configuração foi desenvolvida em parceria com a empresa dos Países Baixos Spoeks Automotive e permite conjugar, de forma eficiente, o transporte de passageiros e de carga. A divisória pode ser selecionada diretamente no configurador do modelo e é instalada de fábrica, imediatamente atrás da segunda fila de bancos.
Com esta solução, o compartimento de carga fica completamente separado da cabina, podendo ser utilizado de forma semelhante à versão Cargo tradicional, incluindo a possibilidade de carregar até ao tejadilho.

De acordo com a marca alemã, uma das principais vantagens é o isolamento eficaz da sujidade e do ruído, que deixam de se propagar para a zona dos passageiros. A divisória integra ainda um óculo, assegurando a visibilidade traseira.
Outro benefício apontado prende-se com a maior eficiência do sistema de climatização, já que o volume a aquecer ou arrefecer no habitáculo é reduzido, contribuindo para um melhor conforto térmico e potencial poupança energética.
A divisória produzida pela Spoeks Automotive é fabricada em Compex, um material compósito leve, resistente e com acabamento suave de elevada qualidade. Na face dianteira, do lado do compartimento de carga, encontra-se um espaço aberto destinado à arrumação do cabo de carregamento.
A Volkswagen garante que a instalação desta divisória não interfere com os cintos de segurança nem com os airbags laterais, mantendo intactos os padrões de segurança do modelo. A opção está disponível para ambas as variantes de carroçaria e, no mercado alemão, tem um preço de 1.856 euros.
Comerciais
UE enfrenta falta de 500 mil condutores profissionais do volante
A União Europeia enfrenta uma escassez estrutural de cerca de meio milhão de postos de trabalho por preencher entre condutores profissionais de camiões e autocarros.
Esta situação crítica levou a Comissão Europeia a encomendar um estudo à Organização Internacional do Transporte Rodoviário (IRU), que valida a contratação regulada de condutores extracomunitários como uma medida complementar essencial para mitigar o problema.
A análise revela que os percursos para integrar condutores provenientes de países terceiros variam significativamente entre os Estados-Membros. Os processos combinam diretivas europeias com regulamentações nacionais, originando duplicações administrativas. Em consequência, os trâmites podem prolongar-se entre seis e doze meses, com custos que podem atingir 20 mil euros por condutor.
Existem ainda estrangulamentos críticos em duas áreas fundamentais. Em primeiro lugar, a carta de condução necessita de ser trocada por uma licença da UE, podendo implicar exames adicionais. Em segundo lugar, a qualificação profissional (CAP/CPC) obtida fora da UE não é reconhecida, obrigando à realização da formação inicial completa no Estado-Membro de acolhimento, incluindo uma residência mínima de 185 dias.
A Espanha destaca-se positivamente no estudo por permitir o acesso através de visto de estudante para a realização da formação CAP, facilitando significativamente o percurso quando comparado com outras vias administrativas. É igualmente valorizada a coordenação formal entre ministérios, concretizada através de um protocolo de cooperação assinado em 2023.
A Polónia recebe também reconhecimento pelo seu sistema ágil. Concretamente, cidadãos da Ucrânia, Bielorrússia, Arménia, Geórgia e Moldávia podem trabalhar durante dois anos mediante uma declaração escrita registada, em substituição do tradicional visto de trabalho.
O estudo propõe a simplificação e harmonização dos percursos administrativos entre os Estados-Membros, bem como a implementação de vias rápidas (fast track) sem comprometer os padrões de segurança. Defende ainda o desenvolvimento de projetos-piloto no âmbito da iniciativa SDM4EU, promovida pela IRU, que transforma a análise política em esquemas operacionais reais, garantindo uma mobilidade de condutores segura e regulada.
Ramón Valdivia, vice-presidente executivo da ASTIC e membro do Comité Executivo da IRU, sublinha que “esta publicação representa um apoio institucional a uma tese que temos defendido há anos”. Em síntese, a contratação corretamente gerida de condutores de países terceiros consolida-se como uma ferramenta complementar fundamental para enfrentar a escassez estrutural, tanto em Espanha como no conjunto da União Europeia.
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